terça-feira, 15 de maio de 2012

Estiagem deve provocar queda na produção de castanha de caju no RN

Estiagem deve provocar queda na produção de castanha de caju no RN

Seca está prejudicando a florada dos cajueiros no Rio Grande do Norte.
Safra de 2012 deve ficar em torno das 10 mil toneladas no estado.
Do Globo Rural - 15/05/2012 06h58
A estiagem que atinge o Nordeste está prejudicando a florada dos cajueiros no Rio Grande do Norte, o que deve causar queda na produção de castanha.

Sem chuvas regulares nos quatro primeiros meses de 2012, os 100 hectares de cajueiro do produtor Francisco Rufino Filho não irão florescer e a safra de castanha deste ano já está comprometida.

O município de Apodi é um dos maiores produtores de castanha de caju do Ri Grande do Norte e um dos que mais sofrem com a seca. Segundo o engenheiro agrônomo Antônio Tertuliano Oliveira, este ano choveu uma média de 200 milímetros na região, o que é muito pouco para o desenvolvimento das amêndoas. “Requer em torno de 600 a 1,2 mil milímetros para que haja uma produtividade satisfatória para o cajueiro”, diz.

A safra de castanha de 2012, que começa em setembro, deve ficar em torno das 10 mil toneladas no Rio Grande do Norte, segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do estado. Houve redução de 50% em relação às safras de 2010 e 2011.

A diminuição na produção deve afetar as pequenas usinas de beneficiamento de castanha no Rio Grande do Norte. Sem amêndoas e sem estoque suficiente, a expectativa é que muitas não consigam mais operar e fechem as portas. As grandes usinas devem importar castanha para manter a atividade em funcionamento.

A usina de beneficiamento de Mossoró importou da África seis mil toneladas de castanha no ano passado. Em 2012, a previsão é dobrar esse número. O empresário diz que o setor está muito instável. “O salário tem subido nessa variação cambial. Eu tenho 33 anos com castanha e estou vendo que está ficando difícil a nossa indústria”, avalia o empresário Francisco Assis Neto.

Campanha do caju "de mal a pior", alerta associação de agricultores.

Lusa 09 Mai, 2012, 16:57 – www.rpt.pt - noticias

O presidente da associação dos agricultores da Guiné-Bissau, Mama Samba Embalo, afirmou hoje que a campanha de comercialização da castanha do caju, principal produto de exportação do país, "vai de mal a pior".

Fazendo um balanço da campanha de caju à luz da situação de crise político-militar no país, decorrente do golpe de Estado militar de 12 de abril, Mama Samba Embalo disse que "se continuar a persistir o impasse os níveis da pobreza irão aumentar".

"Enquanto representantes dos agricultores, podemos dizer que a campanha está a correr muito mal. Vai de mal a pior. A pobreza ameaça a população do mundo rural. A castanha está a ser comprada abaixo do preço fixado pelo Governo", deposto, disse Embalo, também deputado no Parlamento.

O presidente da ANAG (Associação Nacional dos Agricultores da Guiné) disse que a situação se torna ainda mais complicada devido ao fluxo de pessoas das cidades para as zonas rurais, onde praticamente só se vive do caju.

"O preço de referência era 250 francos por quilograma, mas o caju é comprado abaixo desse preço, o que empobrece cada vez mais o produtor", sublinhou Mama Samba Embalo, explicando ainda que os empresários guineenses não participam na campanha deste ano.

"Apenas os empresários mauritanos e indianos é que estão a comprar, porque os operadores nacionais não tiveram crédito nos bancos comerciais por isso não conseguem participar na campanha", notou o responsável da ANAG.

"Os bancos não têm confiança no país, por isso não dão crédito aos empresários nacionais. Para piorar ainda mais as coisas, a castanha está a ser comercializada nas fronteiras para os países vizinhos, Guiné-Conacri, Senegal e Gâmbia", observou Embalo.

"Não há controlo das nossas fronteiras. O país está a perder muita riqueza. O índice da pobreza está a aumentar a cada dia que passa", salientou o presidente da ANAG, apontando números.

"Em 2011, por estas alturas do mês de maio, já tinham sido exportadas 16 mil toneladas de castanha através do porto de Bissau. Neste momento que vos falo, nem uma tonelada saiu pelo porto de Bissau", disse.

Mama Samba Embalo explicou que a campanha de 2011, considerada até pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional como sendo a melhor de todas, ajudou o país a subir o nível da economia e a credibilidade externa.

"Produziram-se cerca de 200 mil toneladas, exportaram-se 167 mil toneladas no ano passado. A previsão deste ano era para 230 mil toneladas de exportação numa produção de cerca de 250 mil toneladas, mas tudo isso poderá ser uma miragem", defendeu Embalo.

"Ainda é possível recuperar a campanha se o problema for resolvido nos próximos dias, mas é impensável pensar que vamos poder conseguir alcançar a quantidade exportada no ano passado", acrescentou o presidente da ANAG, para quem a solução passa pela reposição das coisas tal como estavam antes do golpe de Estado.

"Queremos que seja reposta a ordem constitucional e seja reposto o Governo que foi derrubado", disse Mama Samba Embalo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Estiagens atingem a produtividade dos cajueiros

02/05/2012 19h59 - Publicado no www.portalmercadoaberto.com.br  
As fortes estiagens verificadas no estado do Rio Grande do Norte irão refletir na produção de castanha-de-caju da safra 2012/2013, que começa a ser colhida a partir do mês de setembro próximo.
Em anos normais de safra, a produção do Rio Grande do Norte atinge, em média, 42.000 toneladas de castanha-de-caju in natura. Na safra de 2010/2011, por causa das condições climáticas adversas, a produção caiu para 26.000. Isso obrigou as indústrias a importar, durante aquele período, a matéria-prima da África.
Na Região Oeste, importante produtora de castanha-de-caju do estado, choveu apenas 342 mm até o mês de abril, quando em situações normais as chuvas chegam a acumular mais de 800 mm no mesmo período.
A adversidade climática deste ano leva o setor agrícola potiguar a projetar que o Rio Grande do Norte enfrentará uma das piores secas dos últimos 30 anos. Essa situação vem preocupando a cadeia produtiva da cajucultura, sobretudo com relação à oferta do produto, uma vez que o estado conta com uma capacidade de beneficiamento de 68.200 toneladas e teme pela ociosidade do parque industrial.
Para atenuar essa situação, as indústrias potiguares já estão formalizando contratos com os países africanos para importar castanha-de-caju in natura, visando suprir parcialmente o déficit da produção do Rio Grande do Norte.
Está provado que o estado precisa avançar no uso de tecnologia para produzir alimentos por meio do processo de irrigação!

sábado, 28 de abril de 2012

Ceará recebe 1º navio de castanha da África

Publicado em 28.04.2012 – JORNAL DIARIO DO NORDESTE – pagina economia
Estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro, em torno de 100 mil toneladas da África
Chega ao Ceará, na próxima segunda-feira, o primeiro navio de castanhas "in natura" importadas da África. O carregamento de aproximadamente quatro mil toneladas vem da Costa do Marfim, país da costa oeste africana, e ainda será processado para se tornar amêndoas, antes de entrar no mercado.
O carregamento vem para ajudar a suprir a demanda, já que com a expectativa de safra, para este e o próximo ano, de apenas 302 mil toneladas de castanha de caju, segundo o IBGE, as indústrias de beneficiamento no País terão que importar a matéria-prima da África, um dos maiores produtores mundiais.
A safra brasileira de aproximadamente 300 mil toneladas não atende a capacidade instalada das indústrias nacionais e, além disso, até 15% desta safra ainda não chegou a ser comercializada para as indústrias.
Segundo o presidente do Sindicaju (Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Ceará), Evilázio Marques, essa necessidade deve-se ao fato de a produção nacional representar, hoje, metade da capacidade instalada do setor - cerca de 600 mil toneladas, com 90% desse volume concentrados no Ceará.
"As indústrias associadas ao Sindicaju dão prioridade à castanha nacional pelo seu tamanho, que é maior do que o da castanha africana, que tem tamanho médio. Entretanto, a safra brasileira de castanha é pequena para atender à capacidade instalada do setor, sendo totalmente consumida", explica.
Na sua avaliação, para que se possa industrializar, pelo menos 65% da capacidade instalada nacional, compensando em parte a redução da safra brasileira, que vem ocorrendo a cada ano, estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro de 2012, em torno de 100 mil toneladas, de Gana, Guiné Bissau, Costa do Marfim e outros países da África Ocidental. "O Brasil é integrante da economia mundial. O setor de castanha de caju não poderia ser diferente, pois estamos concorrendo com outros países, como a Índia e o Vietnã, que há muitos anos realizam importações da África", diz.
Impactos
De acordo com Marques, a importação da matéria-prima africana também se justifica pelos impactos positivos decorrentes de sua realização. "Os impactos causados na economia cearense são muito importantes, pois irão garantir aumento dos empregos diretos e indiretos nas indústrias, além de aumento de divisas para o Estado", explica. Conforme disse, a importação feita pelas indústrias associadas ao Sindicaju, na safra anterior, foi o que assegurou a manutenção da maioria dos empregos diretos e nos segmentos dependentes, como fornecedores dentre outros. Além do que, diz, "a importação proporcionará às indústrias a manutenção dos clientes existentes em mais de 50 países onde as amêndoas de castanha do Ceará são apreciadas e consumidas".

Rendimento
Segundo Evilázio Marques, apesar de a castanha proveniente da África ter tamanho médio um pouco abaixo do nacional, este possui, por sua vez, rendimento de amêndoas por quilo (Kg) de castanhas "in natura" entre 98 a 108 kg por caixa de 50 libras, melhor que o produto nacional, que necessita de 115kg a 125kg para produção de uma caixa do mesmo peso. "Além disso, a castanha africana chega nas indústrias embalada em sacos novos e livre de impurezas, diferentemente da brasileira que chega a ter de 4% a 6% de impurezas representadas por pedras, areia e folhas. E com baixa umidade, podendo ter diferencial de até 6% a 8% com relação ao produto nacional", afirma.
Números do setor
A importância social do caju no Nordeste do Brasil traduz-se pelo número de empregos diretos que gera, dos quais, informa o Sindicaju, mais de 170 mil estão no campo e de 12 a 15 mil na indústria, além de 350 mil empregos indiretos nos dois segmentos. O cajueiro, para o semiárido nordestino, é ainda de suma relevância, pois os empregos do campo são gerados na entressafra das culturas tradicionais como milho, feijão e algodão, reduzindo, assim, o êxodo rural. Ao lado do aspecto econômico, os produtos derivados do caju detêm ainda grande importância alimentar para o produtor rural.
Segundo o IBGE, o Nordeste, com uma área plantada superior a 750 mil hectares, responde por 100% da produção nacional, sendo os estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia os principais produtores. O Brasil, que já chegou a ser o segundo maior produtor de castanha do mundo, ficando atrás apenas da Índia, atualmente encontra-se em quarto lugar, perdendo para Índia, Vietnã e Costa do Marfim.
Produção
302 mil toneladas de castanha devem ser produzidas no Brasil neste e no próximo ano, mas o número ainda é considerado baixo

terça-feira, 3 de abril de 2012

35 000 toneladas de castanha de caju in natura na mão de atravessadores.

Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará - Ano 5 - Edição 58 - abril de 2012
Prática nociva - ESPECULAÇÃO –

Apenas na região norte do estado, há entre 25 000 a 35 000 toneladas de castanha de caju in natura na mão de atravessadores.
Com safra estimada entre 80 000 e 85 000 toneladas anualmente, os produtores cearenses de castanha de caju in natura vêm enfrentando a ação de especuladores. O alerta é do presidente do Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará (Sincaju), Paulo de Tarso Meyer Ferreira. Ele denuncia que atravessadores compraram a castanha a preços baixos dos mini e pequenos produtores, com a intenção de formar estoque e depois vendê-lo à indústria de beneficiamento na estressafra por um valor bem acima da média de mercado.

A prática, lucrativa para quem dela faz uso, tem se mostrado prejudicial a todo o segmento. Paulo de Tarso estima que, apenas na região norte do estado, onde teve início tal procedimento, há entre 25 000 a 35 000 toneladas na mão de especuladores. A ação, segundo ele, ocorre, sobretudo, porque falta apoio dos órgãos governamentais aos pequenos produtores, os quais, sem recursos para bancar a produção, acabam reféns dessa gente. "Em alguns casos, eles chegam a financiar o plantio com juros mais altos, além de comprar a castanha por preços mais baixos."

"O especulador não tem compromisso com a produção, só com o lucro. Se não der para ganhar com o caju, ganha com a carnaúba, com a farinha, com a venda de carros etc.", afirma Paulo de Tarso. Ele dá sugestões para coibir a má prática dos que procuram tirar proveito da situação: cobrar-lhes imposto sobre a matéria-prima estocada e oferecer condições ao produtor para aumentar a sua capacidade produtiva, mediante financiamento facilitado, a fim de que possa se defender do atravessador.

De acordo com o Sincaju, cerca de 10 milhões de reais seriam suficientes para atender aos produtores (pequenos e médios) de castanha no Ceará. Paulo de Tarso diz que a bancada de parlamentares estaduais do Ceará, por meio dos deputados Hermínio Rezende e Manuel Duca, membros da Comissão de Agropecuária da Assembleia, está tentando oficializar a criação de um fundo de apoio à cajucultura com o objetivo de renovar pomares que já chegaram a produzir 600 quilos por hectare e atualmente não atingem 200 quilos/hectare. "Nosso segmento corre o risco de acabar. Dos 402 000 hectares no Ceará, 30% estão improdutivos."

Como se não bastassem os especuladores e a baixa produtividade, Paulo de Tarso afirma que a cajucultura cearense enfrenta outros graves problemas, como aumento da concorrência externa, falta de recursos e escassez de linha de crédito específica ao setor. "Todas essas variáveis têm funcionado como verdadeiro desestímulo à cadeia produtiva." Ele diz que há muito tempo vem solicitando dos órgãos competentes a criação de linhas de crédito voltadas, preliminarmente, à substituição de copas dos cajueiros improdutivos. "Com isso, em dois ou três anos, haveria a triplicação da produção."

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Estado do Ceará (Sindicaju), Evilazio Marques Ribeiro, o problema existe e já foi tratado com as autoridades governamentais, mas é uma questão principalmente de mercado envolvendo a lei da oferta e da procura. "Isso ocorre em todo lugar onde predomina o poder econômico. Os especuladores têm recursos, conseguem impor suas condições aos produtores e compram até mais barato que a própria indústria."

Mas Evilazio Ribeiro entende, assim como Paulo de Tarso, que as autoridades governamentais poderiam coibir a especulação criando um imposto sobre o produto estocado: "Essas pessoas não podem ser tratadas como produtores, e sim como comerciantes. É a única solução que vejo". Conforme ele, a indústria tem sido diretamente prejudicada porque a compra da matéria-prima obedece às regras de mercado. "Se tem, baixa o preço. Se não tem, aumenta o preço." Outra situação provocada pela especulação, diz Evilazio Ribeiro, é o fato de a castanha in natura não estar disponível à indústria no período da safra.

Importação não prejudica produtor

A castanha de caju no Ceará exportou no ano passado 190,5 milhões de dólares, colocando o segmento no segundo lugar em exportações. Perdeu para o setor calçadista, cujas vendas atingiram 365 milhões de dólares em 2011. Naquele ano, porém, a indústria precisou importar mais de 57 milhões de dólares em matéria-prima para atender à demanda. Antes, o estado já havia se socorrido das importações para assegurar a sua produção industrial nos anos de 2007, 2008 e 2009, mas com valores que, juntando os três anos, pouco passaram dos 10 milhões de dólares.

De acordo com Evilazio Ribeiro, a indústria do estado precisa se adaptar à nova realidade. E por vários motivos. Um deles está relacionado à competitividade. O setor conseguiu quase dobrar as exportações nos últimos dez anos, passando de 82 milhões de dólares, em 2002, para mais de 190 milhões de dólares, em 2011. Isso, no entanto, não significa que a situação esteja totalmente favorável ao segmento no Ceará. "Mesmo respondendo em 2011 por 73% das exportações do produto no Brasil, estamos tendo de lidar no mercado externo com o aumento da concorrência."

O presidente do Sindicaju explica que as indústrias locais procuram se manter competitivas, adquirindo, inclusive, novos equipamentos, gerando consequências na cadeia como um todo. Nesse sentido, explica que a produção rural cearense é baixa por causa, dentre outros fatores, dos cajueiros que se tornaram improdutivos. "No Vietnã, por exemplo, o plantio de cajueiro anão é muito grande. Além disso, tanto os produtores como os exportadores recebem incentivo para assim proceder."

Por isso a indústria do Vietnã cresceu e pôde enfrentar a competitividade internacional. No Ceará, o fenômeno se inverteu: o estado perdeu produtividade e competitividade. Como reflexo, desde o ano passado, aumentou a importação de castanha in natura da África e da Ásia para atender à demanda da indústria de beneficiamento, porque não há produção suficiente por aqui. Mas Evilazio Ribeiro não acredita que a importação possa provocar desemprego no campo. "Compramos toda a produção local disponível, tanto que estamos importando, uma vez que não há castanha suficiente no estado."

Em relação à indústria, porém, o desemprego existe, justamente porque falta matéria-prima para processar, mesmo com a importação. Somente em 2011, diz o dirigente classista, cerca de 5 000 pessoas foram demitidas por isso. Atualmente, o setor de beneficiamento de castanha no Ceará conta com nove indústrias, empregando cerca de 10 000 pessoas diretamente e cerca de 30 000 indiretamente.

Evilazio Ribeiro alerta que a falta de matéria-prima para garantir a necessidade de produção da indústria existe por causa de empecilhos provocados pelas autoridades governamentais, como regras de cotas. "Não queremos favorecimento. Mas condições que nos permitam competir em igualdade com os mercados tradicionais do produto."

Importação dobra em 2012

O Brasil deverá importar este ano um volume de 100 000 toneladas de castanha de caju para serem processadas nas fábricas nacionais, a maior parte delas localizada no Ceará. Esse valor representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011. A Índia é o segundo maior produtor mundial de castanha, atrás do Vietnã. O Brasil ocupa hoje a terceira posição.

De acordo com o Evilazio Ribeiro, a importação se deve à capacidade instalada da indústria para o beneficiamento da castanha de caju de 600 000 toneladas/ano, que não está conseguindo ser suprida pela produção rural brasileira. "Nós damos, sempre, preferência à castanha nacional. Mas, como a produção brasileira não é suficiente, temos de importar." Ele aponta que o ano de 2011 foi o primeiro no qual se realizou uma importação em larga escala da matéria-prima, trazida, na ocasião, da África do Sul.
No entanto, mesmo com a importação, a indústria continua enfrentando dificuldades para não ficar com sua capacidade ociosa. No ano passado, o Brasil exportou 26 000 toneladas de amêndoas de castanha de caju processadas, o que gerou faturamento de 260,6 milhões de dólares. Caso a capacidade instalada fosse utilizada em sua totalidade, o país poderia ter gerado divisas em torno de 500 milhões de dólares.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Brasail deve importar 100 mil ton de castanha ´in natura

País deve importar 100 mil ton de castanha ´in natura´ PARA BENEFICIAR  Fonte; JORNAL DIARIO DO NORDESTE (NEGOCIOS) Fortaleza/CE 08.03.2012
O Ceará concentra a maisor produção e o beneficiamento de castanha de caju no território nacional

Quantidade representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011, ou seja, 45 mil toneladas
O Brasil deverá importar, somente neste ano, um volume de 100 mil toneladas de castanha de caju para serem processadas nas fábricas nacionais, a maior parte delas, localizadas no Ceará.
A quantidade representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011, que foi de 45 mil toneladas.
A informação foi antecipada na manhã de ontem, pelo presidente do Sindicaju (Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Ceará), Evilázio Marques, durante encontro com exportadores indianos de castanha "in natura".
A Índia é o segundo maior produtor mundial de castanha, atrás apenas do Vietnã. O Brasil, que possui produção e beneficiamento concentrados no Ceará, ocupa hoje a terceira posição. De acordo com Marques, o Brasil possui uma capacidade instalada para o beneficiamento da castanha de caju de 600 mil toneladas/ano. Contudo, a produção nacional gira em torno de 250 a 300 mil toneladas.
"Nós damos, sempre, preferência à castanha nacional. Mas, como a produção do País não é suficiente, temos que importar", afirma. Ele aponta que 2011 foi o primeiro ano em que se realizou uma importação em larga escala da matéria-prima, na ocasião, trazida da África do Sul.

Exportação de amêndoas
No ano passado, o Brasil exportou 26 mil toneladas de amêndoas de castanha de caju processadas, o que gerou faturamento de US$ 227 milhões. Caso a capacidade instalada fosse utilizada em sua totalidade, o País poderia ter gerado divisas estimadas em US$ 500 milhões.
"A castanha é um produto de grande aceitação em todo o mundo, movimentando um valor de US$ 1 bilhão", destaca Marques. Do total de castanha beneficiada exportada pelo País, ele afirma que mais de 90% são provenientes do Ceará, havendo uma pequena produção, em torno de 5% do total, no Rio Grande do Norte e de apenas 2%, no Piauí.
Em relação à importação, intermediada pelo empresário indiano, que se encontra em visita ao Ceará, com objetivo de vender castanha in natura do continente africano, Marques afirma: "eu acho louvável a vinda dele, porque mostra o respeito dos empresários do mundo às nossas empresas associadas". Revela também o interesse dos exportadores mundiais de suprir a demanda reprimida do mercado.

Relevância social
Além de ser o principal produto da pauta de exportações e um dos principais geradores de divisas do Estado, a castanha de caju é de grande relevância social para o Ceará.
O agronegócio do Caju gera, atualmente, dez mil empregos diretos e 35 mil indiretos, promovendo emprego e renda, justamente no período de entressafra das demais culturas, no campo.
Insuficiência
600 mil toneladas é a capacidade instalada atual da indústria nacional, porém a produção brasileira somente chega a 300 mil toneladas

263 TONELADAS DE AMÊNDOAS DE CASTANHA DE CAJU VIRAM CINZAS

JORNAL O POVO – Online – Economia
Dinheiro público23/02/2012 - 01h30
263 toneladas de castanha viram cinzas
A Justiça Estadual mandou jogar no fogo quase 11 mil caixas de castanhas de caju que apodreceram num dos armazéns da Conab. O estoque estava penhorado pelo BB como única garantia para abater uma dívida federal, feita há dez anos por cajucultores cearenses.
A essa hora, talvez ainda restem alguns quilos para botar no fogo. Assim disse o porteiro da fábrica Roguimo, que produz cera de carnaúba. A indústria fica no km 12,5 da BR-222. É lá que 263 toneladas de castanhas de caju, uma pequena montanha do produto que já esteve pronto para exportação, estão sendo usadas como... lenha. E pior: porque apodreceram sem alimentar ninguém e eram a única garantia de um empréstimo milionário feito junto ao Governo Federal.
O POVO tentou fazer o registro fotográfico da incineração na semana passada, última quarta-feira, dia 15, mas os donos da empresa não autorizaram o acesso. É tanta castanha que a incineração começou desde o fim de janeiro e ainda há bastante “lenha” para jogar às labaredas. A situação inusitada é parte de uma grande pendenga judicial entre gente da cajucultura cearense e o setor de cobrança do Banco do Brasil (BB). Uma história que começou há mais de dez anos. A verba federal, repassada através do Banco do Brasil, teria sido superior a R$ 6 milhões, mas a dívida nunca foi saldada.
As amêndoas estragaram após uma década de entraves jurídicos protagonizados pelo BB e as partes devedoras: a Cooperativa dos Produtores de Caju do Ceará (Cocaju) e as empresas Irmãos Fontenele S/A e Agroindustrial Gomes. Os 263.328 quilos chegaram a ser recolhidos pelo banco em 2002 para penhora judicial. Um ano depois do vencimento para pagar o empréstimo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em fábricas de Fortaleza e Uruburetama. Seriam a garantia da dívida.
Desde setembro daquele ano, porém, ficaram armazenadas num dos galpões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Maracanaú. Sem que fossem negociadas ou nem sequer doadas para instituições de caridade, enquanto poderiam ter sido. “Nós apenas alugávamos os galpões”, garante o superintendente da Conab, Eude Guedes.
Foi lá, pelo tempo, que se deterioraram. As castanhas estavam embaladas em 10.972 caixas (de 24 kg cada). Era um estoque da safra 2000/2001. Já não serviam mais nem para adubo ou alguma possibilidade de consumo animal ou humano. Uma carga dessas fica perecível após dois anos. O tipo de embalagem era o ideal para exportação, mas válido apenas no prazo devido. A decisão para que fossem jogadas ao fogo foi definida pela juíza estadual Dilara Pedreira Guerreiro de Brito, da 1ª Vara Cível, no dia 14 de novembro do ano passado. A própria Conab requisitou a incineração. Já nos primeiros anos de armazenamento foi confirmado que o produto havia apodrecido.
E Agora
ENTENDA A NOTÍCIA
E quem pagará essa conta, gerada com dinheiro público? O Banco do Brasil confirma que seguirá o processo judicial, para cobrar o empréstimo feito pelos cajucultores locais. As empresas já não têm o porte financeiro de uma década atrás e a Cocaju nem existe mais.
Números
263.328 Quilos é a quantidade de castanhas de caju que está sendo incinerada, após terem apodrecido nos armazéns da Conab
200 Gramas é o peso médio de um pacote de castanhas que costuma ser adquirido por consumidores em pontos de venda
13.166.400 Pacotes de 200g é a quantidade que a carga incinerada poderia ser transformada
R$ 6 milhões é o valor do débito que estaria sendo cobrado pelo BB, segundo o advogado da Cocaju. O BB não conforma a cifra

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Castanha-de-caju: produção e comercialização da safra potiguar 2011

A safra de castanha-de-caju no Estado do Rio Grande do Norte encontra-se em plena colheita. A perspectiva do setor é que a produção seja superior a 40.000 toneladas, representando crescimento em mais de 50% em relação à safra do ano passado (26.613 toneladas) que foi fortemente atingida pelas estiagens. Mesmo assim, a produção do Estado, mais uma vez, não será suficiente para atender à demanda de consumo pelos mercados interno e externo.
Novamente os produtores rurais passam por uma crise financeira. Isso devido à deficiência na organização do setor, sobretudo na atividade de comercialização da castanha-de-caju in natura, quando os agricultores recebem preços bem abaixo do custo de produção.
Essa situação encontra-se relatada no estudo e na pesquisa elaborados recentemente por este analista de mercado.
O trabalho acha-se disponível neste Portal, como também na Conab, UFPR, UFRN, UFERSA, FACEX, Emater, Secretaria Agricultura, Pecuária e Pesca - Sape, BNB e BB/RN.
Disponibilização de cópias por meio dos seguintes endereços: gzanza@supercabo.com.br e luis.costa@conab.gov.br. -www.portalmercadoaberto.com.br 14.11.201

Ponto de vista

14.11.2011| 01:30 - JORNAL O OPOVO _ PAGINA ECONOMIA

A cajucultura envereda aceleradamente pelo mesmo caminho da extinçãodo algodão arbóreo. Fundamentado na teoria equivocada de proteção do emprego urbano e industrial para a população de baixa renda, a cartelização dos beneficiadores na formação de preço da castanha de caju fez-se sentir mais acentuadamente a partir de 1995, agravado pelo fechamento periódico da exportação através das resoluções da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) (Nº 26 de 16-10-2002 e Nº 31 de 20-10-2003), fechando quaisquer possibilidades de exportação da castanha.

O preço médio da castanha recebido pelo produtor no Ceará no período 1990-94 correspondia a 98% do preço médio mundial de US$ 810 a tonelada e no intervalo 2005-08 caiu para apenas 68% do preço médio mundial. Alijado da competição internacional e com preço recebido abaixo do custo de produção, o pequeno produtor rural sofreu descapitalização contínua durante 15 anos e paralisou a oferta da castanha.

A Câmara Setorial do Caju acompanha a execução da atual política de investimentos e subsídios aplicados ao desenvolvimento tecnológico e econômico da cajucultura. Além das ações desenvolvidas, novas medidas urgentes e inadiáveis devem ser tomadas por causa da sua importância social, para garantir a sobrevivência de 100 mil pequenos produtores rurais.

A medida mais urgente é a irrestrita abertura do mercado internacional, apoiando a exportação da castanha pelas organizações dos produtores. Eleger a castanha de caju como uma atividade econômica prioritária, ousar na política de preços mínimos, subsidiando-se a exportação e promover a elevação imediata do preço recebido.

Fazer gestões junto ao Ministério da Fazenda para resolver a questão central da mini-usina de beneficiamento comunitário de castanha de caju, mudando-se o atual critério de enquadramento da receita bruta anual máxima de R$ 360 mil para as microempresas (MP), propondo a adoção de um parâmetro mais compatível com o reduzido valor agregado (VA), para permitir o acesso ao crédito rural subsidiado, pois a mini-usina necessita de um capital de giro mínimo para a aquisição e armazenamento de pelo menos 600 toneladas a R$1,50/kg de castanha (faixa de empresa de pequeno porte-EPP), durante a safra de três meses.

Yoshio Namekata, engenheiro agrônomo

Produtores denunciam formação de cartel

Em plena safra da castanha produtores reclamam do preço do produto e da dificuldade de continuar produzindo
14.11.2011| 01:30 – JORNAL OPOVO _ PAGINA ECONOMIA
Produtores reclamam dos preços baixos pagos pelo quilo do produto, quevariam de R$ 1,10 e R$ 1,20. Alertam ainda que foram avisados que vai baixar para R$ 1 (BANCO DE DADOS)
Produtores de castanha de caju afirmam que a situação para quem produz o primeiro produto, isoladamente, da pauta de exportação do Ceará, é desesperadora. Insatisfeitos, denunciam prática de cartel para formação de preço e pedem que o Governo do Estado adote medidas urgentes para evitar que a cajucultura, assim como a cultura do algodão, desapareça dentro de poucos anos causando enorme prejuízo econômico e social.

Preço da castanha, que não remunera os custos de produção; lucro concentrado entre os atravessadores, especuladores e os industriais e a falta de adoção de tecnologias no campo por causa da falta de assistência técnica, aliado a idade avançada e a baixa produtividade dos pomares. Esses são os principais problemas apontados pelo vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Regional Leste, em Aracati, Normando Soares, e o vice-presidente da Associação dos Cajucultores do Estado do Ceará (Ascaju), Franzé de Sousa.


Franzé de Sousa, que também é produtor e secretário da Agricultura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente de Horizonte (Seagrhim), diz que são necessárias medidas de curto prazo urgentes. Entre elas cita, adoção de um preço mínimo para a castanha, assim como ocorre no caso do leite, e assistência técnica dirigida a exemplo do que já foi feito de 2006 a 2008 com o Programa de Modernização da Cajucultura, implantada pelas federações da Agricultura e Pecuária (Faec) e das Indústrias do Ceará (Fiec), Sebrae-CE, prefeitura municipais e produtores.


Os produtores, diretores e membros da Ascaju, adiantam que além dos baixos preços pagos pelo quilo do produto, que variam de R$ 1,10 e R$ 1,20, já foram avisados que vai baixar para R$ 1 ou até menos. “É muito difícil, para nós compreender porque pagam de R$ 1,20/kg a R$ 1,30/Kg pela nossa castanha, enquanto a castanha importada, custou aproximadamente R$ 3,00/kg”, diz Soares. Os produtores acrescentam que não são contra a importação de castanha mas destacam que isso não poderiam ocorrer em plena safra .


O diretor da Ascaju e produtor rural em Limoeiro do Norte, Raimundo Pereira de Menezes, afirma que para pagar pelo menos os tratos culturais o produtor não poderia receber menos de R$ 1,30 por quilo. Sobre as ações organizadas que caracterizariam a formação de cartel no Estado, os produtores citam que na época da safra os industriais se reúnem e combinam o preço que vão comprar. “Se dos oito compradores sete ficarem comprando a R$ 1,20 e um a R$ 1,25, é claro que todos `correm´, para vender no que está pagando mais”, explicam.

Por quê


ENTENDA A NOTÍCIA
Os problemas da cajucultura são conhecidos por produtores, industriais e governantes, sem falar na série de estudos e programas que nunca têm continuidade. Falta decisão política e ação para fortalecer a cultura.

Números

R$ 6,50 - é o preço de 5 kg de castanha de caju para o produtor.

R$ 45,00 - é o preço de 1 kg de amêndoa ao consumidor no Ceará.

R$ 25,00 - é o preço de 1 kg de amêndoa para a indústria.

R$ 65,00 - é o preço de 1 kg de amêndoa ao consumidor para outros estados do Brasil.