sábado, 28 de abril de 2012

Ceará recebe 1º navio de castanha da África

Publicado em 28.04.2012 – JORNAL DIARIO DO NORDESTE – pagina economia
Estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro, em torno de 100 mil toneladas da África
Chega ao Ceará, na próxima segunda-feira, o primeiro navio de castanhas "in natura" importadas da África. O carregamento de aproximadamente quatro mil toneladas vem da Costa do Marfim, país da costa oeste africana, e ainda será processado para se tornar amêndoas, antes de entrar no mercado.
O carregamento vem para ajudar a suprir a demanda, já que com a expectativa de safra, para este e o próximo ano, de apenas 302 mil toneladas de castanha de caju, segundo o IBGE, as indústrias de beneficiamento no País terão que importar a matéria-prima da África, um dos maiores produtores mundiais.
A safra brasileira de aproximadamente 300 mil toneladas não atende a capacidade instalada das indústrias nacionais e, além disso, até 15% desta safra ainda não chegou a ser comercializada para as indústrias.
Segundo o presidente do Sindicaju (Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Ceará), Evilázio Marques, essa necessidade deve-se ao fato de a produção nacional representar, hoje, metade da capacidade instalada do setor - cerca de 600 mil toneladas, com 90% desse volume concentrados no Ceará.
"As indústrias associadas ao Sindicaju dão prioridade à castanha nacional pelo seu tamanho, que é maior do que o da castanha africana, que tem tamanho médio. Entretanto, a safra brasileira de castanha é pequena para atender à capacidade instalada do setor, sendo totalmente consumida", explica.
Na sua avaliação, para que se possa industrializar, pelo menos 65% da capacidade instalada nacional, compensando em parte a redução da safra brasileira, que vem ocorrendo a cada ano, estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro de 2012, em torno de 100 mil toneladas, de Gana, Guiné Bissau, Costa do Marfim e outros países da África Ocidental. "O Brasil é integrante da economia mundial. O setor de castanha de caju não poderia ser diferente, pois estamos concorrendo com outros países, como a Índia e o Vietnã, que há muitos anos realizam importações da África", diz.
Impactos
De acordo com Marques, a importação da matéria-prima africana também se justifica pelos impactos positivos decorrentes de sua realização. "Os impactos causados na economia cearense são muito importantes, pois irão garantir aumento dos empregos diretos e indiretos nas indústrias, além de aumento de divisas para o Estado", explica. Conforme disse, a importação feita pelas indústrias associadas ao Sindicaju, na safra anterior, foi o que assegurou a manutenção da maioria dos empregos diretos e nos segmentos dependentes, como fornecedores dentre outros. Além do que, diz, "a importação proporcionará às indústrias a manutenção dos clientes existentes em mais de 50 países onde as amêndoas de castanha do Ceará são apreciadas e consumidas".

Rendimento
Segundo Evilázio Marques, apesar de a castanha proveniente da África ter tamanho médio um pouco abaixo do nacional, este possui, por sua vez, rendimento de amêndoas por quilo (Kg) de castanhas "in natura" entre 98 a 108 kg por caixa de 50 libras, melhor que o produto nacional, que necessita de 115kg a 125kg para produção de uma caixa do mesmo peso. "Além disso, a castanha africana chega nas indústrias embalada em sacos novos e livre de impurezas, diferentemente da brasileira que chega a ter de 4% a 6% de impurezas representadas por pedras, areia e folhas. E com baixa umidade, podendo ter diferencial de até 6% a 8% com relação ao produto nacional", afirma.
Números do setor
A importância social do caju no Nordeste do Brasil traduz-se pelo número de empregos diretos que gera, dos quais, informa o Sindicaju, mais de 170 mil estão no campo e de 12 a 15 mil na indústria, além de 350 mil empregos indiretos nos dois segmentos. O cajueiro, para o semiárido nordestino, é ainda de suma relevância, pois os empregos do campo são gerados na entressafra das culturas tradicionais como milho, feijão e algodão, reduzindo, assim, o êxodo rural. Ao lado do aspecto econômico, os produtos derivados do caju detêm ainda grande importância alimentar para o produtor rural.
Segundo o IBGE, o Nordeste, com uma área plantada superior a 750 mil hectares, responde por 100% da produção nacional, sendo os estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia os principais produtores. O Brasil, que já chegou a ser o segundo maior produtor de castanha do mundo, ficando atrás apenas da Índia, atualmente encontra-se em quarto lugar, perdendo para Índia, Vietnã e Costa do Marfim.
Produção
302 mil toneladas de castanha devem ser produzidas no Brasil neste e no próximo ano, mas o número ainda é considerado baixo

terça-feira, 3 de abril de 2012

35 000 toneladas de castanha de caju in natura na mão de atravessadores.

Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará - Ano 5 - Edição 58 - abril de 2012
Prática nociva - ESPECULAÇÃO –

Apenas na região norte do estado, há entre 25 000 a 35 000 toneladas de castanha de caju in natura na mão de atravessadores.
Com safra estimada entre 80 000 e 85 000 toneladas anualmente, os produtores cearenses de castanha de caju in natura vêm enfrentando a ação de especuladores. O alerta é do presidente do Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará (Sincaju), Paulo de Tarso Meyer Ferreira. Ele denuncia que atravessadores compraram a castanha a preços baixos dos mini e pequenos produtores, com a intenção de formar estoque e depois vendê-lo à indústria de beneficiamento na estressafra por um valor bem acima da média de mercado.

A prática, lucrativa para quem dela faz uso, tem se mostrado prejudicial a todo o segmento. Paulo de Tarso estima que, apenas na região norte do estado, onde teve início tal procedimento, há entre 25 000 a 35 000 toneladas na mão de especuladores. A ação, segundo ele, ocorre, sobretudo, porque falta apoio dos órgãos governamentais aos pequenos produtores, os quais, sem recursos para bancar a produção, acabam reféns dessa gente. "Em alguns casos, eles chegam a financiar o plantio com juros mais altos, além de comprar a castanha por preços mais baixos."

"O especulador não tem compromisso com a produção, só com o lucro. Se não der para ganhar com o caju, ganha com a carnaúba, com a farinha, com a venda de carros etc.", afirma Paulo de Tarso. Ele dá sugestões para coibir a má prática dos que procuram tirar proveito da situação: cobrar-lhes imposto sobre a matéria-prima estocada e oferecer condições ao produtor para aumentar a sua capacidade produtiva, mediante financiamento facilitado, a fim de que possa se defender do atravessador.

De acordo com o Sincaju, cerca de 10 milhões de reais seriam suficientes para atender aos produtores (pequenos e médios) de castanha no Ceará. Paulo de Tarso diz que a bancada de parlamentares estaduais do Ceará, por meio dos deputados Hermínio Rezende e Manuel Duca, membros da Comissão de Agropecuária da Assembleia, está tentando oficializar a criação de um fundo de apoio à cajucultura com o objetivo de renovar pomares que já chegaram a produzir 600 quilos por hectare e atualmente não atingem 200 quilos/hectare. "Nosso segmento corre o risco de acabar. Dos 402 000 hectares no Ceará, 30% estão improdutivos."

Como se não bastassem os especuladores e a baixa produtividade, Paulo de Tarso afirma que a cajucultura cearense enfrenta outros graves problemas, como aumento da concorrência externa, falta de recursos e escassez de linha de crédito específica ao setor. "Todas essas variáveis têm funcionado como verdadeiro desestímulo à cadeia produtiva." Ele diz que há muito tempo vem solicitando dos órgãos competentes a criação de linhas de crédito voltadas, preliminarmente, à substituição de copas dos cajueiros improdutivos. "Com isso, em dois ou três anos, haveria a triplicação da produção."

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Estado do Ceará (Sindicaju), Evilazio Marques Ribeiro, o problema existe e já foi tratado com as autoridades governamentais, mas é uma questão principalmente de mercado envolvendo a lei da oferta e da procura. "Isso ocorre em todo lugar onde predomina o poder econômico. Os especuladores têm recursos, conseguem impor suas condições aos produtores e compram até mais barato que a própria indústria."

Mas Evilazio Ribeiro entende, assim como Paulo de Tarso, que as autoridades governamentais poderiam coibir a especulação criando um imposto sobre o produto estocado: "Essas pessoas não podem ser tratadas como produtores, e sim como comerciantes. É a única solução que vejo". Conforme ele, a indústria tem sido diretamente prejudicada porque a compra da matéria-prima obedece às regras de mercado. "Se tem, baixa o preço. Se não tem, aumenta o preço." Outra situação provocada pela especulação, diz Evilazio Ribeiro, é o fato de a castanha in natura não estar disponível à indústria no período da safra.

Importação não prejudica produtor

A castanha de caju no Ceará exportou no ano passado 190,5 milhões de dólares, colocando o segmento no segundo lugar em exportações. Perdeu para o setor calçadista, cujas vendas atingiram 365 milhões de dólares em 2011. Naquele ano, porém, a indústria precisou importar mais de 57 milhões de dólares em matéria-prima para atender à demanda. Antes, o estado já havia se socorrido das importações para assegurar a sua produção industrial nos anos de 2007, 2008 e 2009, mas com valores que, juntando os três anos, pouco passaram dos 10 milhões de dólares.

De acordo com Evilazio Ribeiro, a indústria do estado precisa se adaptar à nova realidade. E por vários motivos. Um deles está relacionado à competitividade. O setor conseguiu quase dobrar as exportações nos últimos dez anos, passando de 82 milhões de dólares, em 2002, para mais de 190 milhões de dólares, em 2011. Isso, no entanto, não significa que a situação esteja totalmente favorável ao segmento no Ceará. "Mesmo respondendo em 2011 por 73% das exportações do produto no Brasil, estamos tendo de lidar no mercado externo com o aumento da concorrência."

O presidente do Sindicaju explica que as indústrias locais procuram se manter competitivas, adquirindo, inclusive, novos equipamentos, gerando consequências na cadeia como um todo. Nesse sentido, explica que a produção rural cearense é baixa por causa, dentre outros fatores, dos cajueiros que se tornaram improdutivos. "No Vietnã, por exemplo, o plantio de cajueiro anão é muito grande. Além disso, tanto os produtores como os exportadores recebem incentivo para assim proceder."

Por isso a indústria do Vietnã cresceu e pôde enfrentar a competitividade internacional. No Ceará, o fenômeno se inverteu: o estado perdeu produtividade e competitividade. Como reflexo, desde o ano passado, aumentou a importação de castanha in natura da África e da Ásia para atender à demanda da indústria de beneficiamento, porque não há produção suficiente por aqui. Mas Evilazio Ribeiro não acredita que a importação possa provocar desemprego no campo. "Compramos toda a produção local disponível, tanto que estamos importando, uma vez que não há castanha suficiente no estado."

Em relação à indústria, porém, o desemprego existe, justamente porque falta matéria-prima para processar, mesmo com a importação. Somente em 2011, diz o dirigente classista, cerca de 5 000 pessoas foram demitidas por isso. Atualmente, o setor de beneficiamento de castanha no Ceará conta com nove indústrias, empregando cerca de 10 000 pessoas diretamente e cerca de 30 000 indiretamente.

Evilazio Ribeiro alerta que a falta de matéria-prima para garantir a necessidade de produção da indústria existe por causa de empecilhos provocados pelas autoridades governamentais, como regras de cotas. "Não queremos favorecimento. Mas condições que nos permitam competir em igualdade com os mercados tradicionais do produto."

Importação dobra em 2012

O Brasil deverá importar este ano um volume de 100 000 toneladas de castanha de caju para serem processadas nas fábricas nacionais, a maior parte delas localizada no Ceará. Esse valor representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011. A Índia é o segundo maior produtor mundial de castanha, atrás do Vietnã. O Brasil ocupa hoje a terceira posição.

De acordo com o Evilazio Ribeiro, a importação se deve à capacidade instalada da indústria para o beneficiamento da castanha de caju de 600 000 toneladas/ano, que não está conseguindo ser suprida pela produção rural brasileira. "Nós damos, sempre, preferência à castanha nacional. Mas, como a produção brasileira não é suficiente, temos de importar." Ele aponta que o ano de 2011 foi o primeiro no qual se realizou uma importação em larga escala da matéria-prima, trazida, na ocasião, da África do Sul.
No entanto, mesmo com a importação, a indústria continua enfrentando dificuldades para não ficar com sua capacidade ociosa. No ano passado, o Brasil exportou 26 000 toneladas de amêndoas de castanha de caju processadas, o que gerou faturamento de 260,6 milhões de dólares. Caso a capacidade instalada fosse utilizada em sua totalidade, o país poderia ter gerado divisas em torno de 500 milhões de dólares.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Brasail deve importar 100 mil ton de castanha ´in natura

País deve importar 100 mil ton de castanha ´in natura´ PARA BENEFICIAR  Fonte; JORNAL DIARIO DO NORDESTE (NEGOCIOS) Fortaleza/CE 08.03.2012
O Ceará concentra a maisor produção e o beneficiamento de castanha de caju no território nacional

Quantidade representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011, ou seja, 45 mil toneladas
O Brasil deverá importar, somente neste ano, um volume de 100 mil toneladas de castanha de caju para serem processadas nas fábricas nacionais, a maior parte delas, localizadas no Ceará.
A quantidade representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011, que foi de 45 mil toneladas.
A informação foi antecipada na manhã de ontem, pelo presidente do Sindicaju (Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Ceará), Evilázio Marques, durante encontro com exportadores indianos de castanha "in natura".
A Índia é o segundo maior produtor mundial de castanha, atrás apenas do Vietnã. O Brasil, que possui produção e beneficiamento concentrados no Ceará, ocupa hoje a terceira posição. De acordo com Marques, o Brasil possui uma capacidade instalada para o beneficiamento da castanha de caju de 600 mil toneladas/ano. Contudo, a produção nacional gira em torno de 250 a 300 mil toneladas.
"Nós damos, sempre, preferência à castanha nacional. Mas, como a produção do País não é suficiente, temos que importar", afirma. Ele aponta que 2011 foi o primeiro ano em que se realizou uma importação em larga escala da matéria-prima, na ocasião, trazida da África do Sul.

Exportação de amêndoas
No ano passado, o Brasil exportou 26 mil toneladas de amêndoas de castanha de caju processadas, o que gerou faturamento de US$ 227 milhões. Caso a capacidade instalada fosse utilizada em sua totalidade, o País poderia ter gerado divisas estimadas em US$ 500 milhões.
"A castanha é um produto de grande aceitação em todo o mundo, movimentando um valor de US$ 1 bilhão", destaca Marques. Do total de castanha beneficiada exportada pelo País, ele afirma que mais de 90% são provenientes do Ceará, havendo uma pequena produção, em torno de 5% do total, no Rio Grande do Norte e de apenas 2%, no Piauí.
Em relação à importação, intermediada pelo empresário indiano, que se encontra em visita ao Ceará, com objetivo de vender castanha in natura do continente africano, Marques afirma: "eu acho louvável a vinda dele, porque mostra o respeito dos empresários do mundo às nossas empresas associadas". Revela também o interesse dos exportadores mundiais de suprir a demanda reprimida do mercado.

Relevância social
Além de ser o principal produto da pauta de exportações e um dos principais geradores de divisas do Estado, a castanha de caju é de grande relevância social para o Ceará.
O agronegócio do Caju gera, atualmente, dez mil empregos diretos e 35 mil indiretos, promovendo emprego e renda, justamente no período de entressafra das demais culturas, no campo.
Insuficiência
600 mil toneladas é a capacidade instalada atual da indústria nacional, porém a produção brasileira somente chega a 300 mil toneladas

263 TONELADAS DE AMÊNDOAS DE CASTANHA DE CAJU VIRAM CINZAS

JORNAL O POVO – Online – Economia
Dinheiro público23/02/2012 - 01h30
263 toneladas de castanha viram cinzas
A Justiça Estadual mandou jogar no fogo quase 11 mil caixas de castanhas de caju que apodreceram num dos armazéns da Conab. O estoque estava penhorado pelo BB como única garantia para abater uma dívida federal, feita há dez anos por cajucultores cearenses.
A essa hora, talvez ainda restem alguns quilos para botar no fogo. Assim disse o porteiro da fábrica Roguimo, que produz cera de carnaúba. A indústria fica no km 12,5 da BR-222. É lá que 263 toneladas de castanhas de caju, uma pequena montanha do produto que já esteve pronto para exportação, estão sendo usadas como... lenha. E pior: porque apodreceram sem alimentar ninguém e eram a única garantia de um empréstimo milionário feito junto ao Governo Federal.
O POVO tentou fazer o registro fotográfico da incineração na semana passada, última quarta-feira, dia 15, mas os donos da empresa não autorizaram o acesso. É tanta castanha que a incineração começou desde o fim de janeiro e ainda há bastante “lenha” para jogar às labaredas. A situação inusitada é parte de uma grande pendenga judicial entre gente da cajucultura cearense e o setor de cobrança do Banco do Brasil (BB). Uma história que começou há mais de dez anos. A verba federal, repassada através do Banco do Brasil, teria sido superior a R$ 6 milhões, mas a dívida nunca foi saldada.
As amêndoas estragaram após uma década de entraves jurídicos protagonizados pelo BB e as partes devedoras: a Cooperativa dos Produtores de Caju do Ceará (Cocaju) e as empresas Irmãos Fontenele S/A e Agroindustrial Gomes. Os 263.328 quilos chegaram a ser recolhidos pelo banco em 2002 para penhora judicial. Um ano depois do vencimento para pagar o empréstimo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em fábricas de Fortaleza e Uruburetama. Seriam a garantia da dívida.
Desde setembro daquele ano, porém, ficaram armazenadas num dos galpões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Maracanaú. Sem que fossem negociadas ou nem sequer doadas para instituições de caridade, enquanto poderiam ter sido. “Nós apenas alugávamos os galpões”, garante o superintendente da Conab, Eude Guedes.
Foi lá, pelo tempo, que se deterioraram. As castanhas estavam embaladas em 10.972 caixas (de 24 kg cada). Era um estoque da safra 2000/2001. Já não serviam mais nem para adubo ou alguma possibilidade de consumo animal ou humano. Uma carga dessas fica perecível após dois anos. O tipo de embalagem era o ideal para exportação, mas válido apenas no prazo devido. A decisão para que fossem jogadas ao fogo foi definida pela juíza estadual Dilara Pedreira Guerreiro de Brito, da 1ª Vara Cível, no dia 14 de novembro do ano passado. A própria Conab requisitou a incineração. Já nos primeiros anos de armazenamento foi confirmado que o produto havia apodrecido.
E Agora
ENTENDA A NOTÍCIA
E quem pagará essa conta, gerada com dinheiro público? O Banco do Brasil confirma que seguirá o processo judicial, para cobrar o empréstimo feito pelos cajucultores locais. As empresas já não têm o porte financeiro de uma década atrás e a Cocaju nem existe mais.
Números
263.328 Quilos é a quantidade de castanhas de caju que está sendo incinerada, após terem apodrecido nos armazéns da Conab
200 Gramas é o peso médio de um pacote de castanhas que costuma ser adquirido por consumidores em pontos de venda
13.166.400 Pacotes de 200g é a quantidade que a carga incinerada poderia ser transformada
R$ 6 milhões é o valor do débito que estaria sendo cobrado pelo BB, segundo o advogado da Cocaju. O BB não conforma a cifra

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Castanha-de-caju: produção e comercialização da safra potiguar 2011

A safra de castanha-de-caju no Estado do Rio Grande do Norte encontra-se em plena colheita. A perspectiva do setor é que a produção seja superior a 40.000 toneladas, representando crescimento em mais de 50% em relação à safra do ano passado (26.613 toneladas) que foi fortemente atingida pelas estiagens. Mesmo assim, a produção do Estado, mais uma vez, não será suficiente para atender à demanda de consumo pelos mercados interno e externo.
Novamente os produtores rurais passam por uma crise financeira. Isso devido à deficiência na organização do setor, sobretudo na atividade de comercialização da castanha-de-caju in natura, quando os agricultores recebem preços bem abaixo do custo de produção.
Essa situação encontra-se relatada no estudo e na pesquisa elaborados recentemente por este analista de mercado.
O trabalho acha-se disponível neste Portal, como também na Conab, UFPR, UFRN, UFERSA, FACEX, Emater, Secretaria Agricultura, Pecuária e Pesca - Sape, BNB e BB/RN.
Disponibilização de cópias por meio dos seguintes endereços: gzanza@supercabo.com.br e luis.costa@conab.gov.br. -www.portalmercadoaberto.com.br 14.11.201

Ponto de vista

14.11.2011| 01:30 - JORNAL O OPOVO _ PAGINA ECONOMIA

A cajucultura envereda aceleradamente pelo mesmo caminho da extinçãodo algodão arbóreo. Fundamentado na teoria equivocada de proteção do emprego urbano e industrial para a população de baixa renda, a cartelização dos beneficiadores na formação de preço da castanha de caju fez-se sentir mais acentuadamente a partir de 1995, agravado pelo fechamento periódico da exportação através das resoluções da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) (Nº 26 de 16-10-2002 e Nº 31 de 20-10-2003), fechando quaisquer possibilidades de exportação da castanha.

O preço médio da castanha recebido pelo produtor no Ceará no período 1990-94 correspondia a 98% do preço médio mundial de US$ 810 a tonelada e no intervalo 2005-08 caiu para apenas 68% do preço médio mundial. Alijado da competição internacional e com preço recebido abaixo do custo de produção, o pequeno produtor rural sofreu descapitalização contínua durante 15 anos e paralisou a oferta da castanha.

A Câmara Setorial do Caju acompanha a execução da atual política de investimentos e subsídios aplicados ao desenvolvimento tecnológico e econômico da cajucultura. Além das ações desenvolvidas, novas medidas urgentes e inadiáveis devem ser tomadas por causa da sua importância social, para garantir a sobrevivência de 100 mil pequenos produtores rurais.

A medida mais urgente é a irrestrita abertura do mercado internacional, apoiando a exportação da castanha pelas organizações dos produtores. Eleger a castanha de caju como uma atividade econômica prioritária, ousar na política de preços mínimos, subsidiando-se a exportação e promover a elevação imediata do preço recebido.

Fazer gestões junto ao Ministério da Fazenda para resolver a questão central da mini-usina de beneficiamento comunitário de castanha de caju, mudando-se o atual critério de enquadramento da receita bruta anual máxima de R$ 360 mil para as microempresas (MP), propondo a adoção de um parâmetro mais compatível com o reduzido valor agregado (VA), para permitir o acesso ao crédito rural subsidiado, pois a mini-usina necessita de um capital de giro mínimo para a aquisição e armazenamento de pelo menos 600 toneladas a R$1,50/kg de castanha (faixa de empresa de pequeno porte-EPP), durante a safra de três meses.

Yoshio Namekata, engenheiro agrônomo

Produtores denunciam formação de cartel

Em plena safra da castanha produtores reclamam do preço do produto e da dificuldade de continuar produzindo
14.11.2011| 01:30 – JORNAL OPOVO _ PAGINA ECONOMIA
Produtores reclamam dos preços baixos pagos pelo quilo do produto, quevariam de R$ 1,10 e R$ 1,20. Alertam ainda que foram avisados que vai baixar para R$ 1 (BANCO DE DADOS)
Produtores de castanha de caju afirmam que a situação para quem produz o primeiro produto, isoladamente, da pauta de exportação do Ceará, é desesperadora. Insatisfeitos, denunciam prática de cartel para formação de preço e pedem que o Governo do Estado adote medidas urgentes para evitar que a cajucultura, assim como a cultura do algodão, desapareça dentro de poucos anos causando enorme prejuízo econômico e social.

Preço da castanha, que não remunera os custos de produção; lucro concentrado entre os atravessadores, especuladores e os industriais e a falta de adoção de tecnologias no campo por causa da falta de assistência técnica, aliado a idade avançada e a baixa produtividade dos pomares. Esses são os principais problemas apontados pelo vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Regional Leste, em Aracati, Normando Soares, e o vice-presidente da Associação dos Cajucultores do Estado do Ceará (Ascaju), Franzé de Sousa.


Franzé de Sousa, que também é produtor e secretário da Agricultura, Recursos Hídricos e Meio Ambiente de Horizonte (Seagrhim), diz que são necessárias medidas de curto prazo urgentes. Entre elas cita, adoção de um preço mínimo para a castanha, assim como ocorre no caso do leite, e assistência técnica dirigida a exemplo do que já foi feito de 2006 a 2008 com o Programa de Modernização da Cajucultura, implantada pelas federações da Agricultura e Pecuária (Faec) e das Indústrias do Ceará (Fiec), Sebrae-CE, prefeitura municipais e produtores.


Os produtores, diretores e membros da Ascaju, adiantam que além dos baixos preços pagos pelo quilo do produto, que variam de R$ 1,10 e R$ 1,20, já foram avisados que vai baixar para R$ 1 ou até menos. “É muito difícil, para nós compreender porque pagam de R$ 1,20/kg a R$ 1,30/Kg pela nossa castanha, enquanto a castanha importada, custou aproximadamente R$ 3,00/kg”, diz Soares. Os produtores acrescentam que não são contra a importação de castanha mas destacam que isso não poderiam ocorrer em plena safra .


O diretor da Ascaju e produtor rural em Limoeiro do Norte, Raimundo Pereira de Menezes, afirma que para pagar pelo menos os tratos culturais o produtor não poderia receber menos de R$ 1,30 por quilo. Sobre as ações organizadas que caracterizariam a formação de cartel no Estado, os produtores citam que na época da safra os industriais se reúnem e combinam o preço que vão comprar. “Se dos oito compradores sete ficarem comprando a R$ 1,20 e um a R$ 1,25, é claro que todos `correm´, para vender no que está pagando mais”, explicam.

Por quê


ENTENDA A NOTÍCIA
Os problemas da cajucultura são conhecidos por produtores, industriais e governantes, sem falar na série de estudos e programas que nunca têm continuidade. Falta decisão política e ação para fortalecer a cultura.

Números

R$ 6,50 - é o preço de 5 kg de castanha de caju para o produtor.

R$ 45,00 - é o preço de 1 kg de amêndoa ao consumidor no Ceará.

R$ 25,00 - é o preço de 1 kg de amêndoa para a indústria.

R$ 65,00 - é o preço de 1 kg de amêndoa ao consumidor para outros estados do Brasil.

Consultor diz que preço baixo no mercado é entrave

JORNAL O POVO – 14/11/2011 – PAGINA ECONOMIA
14.11.2011| 01:30
O preço médio da castanha de caju recebido pelo produtor no Ceará, no período de 1990 a 1994 correspondia a 98% do preço médio mundial que era de US$ 810 a tonelada. No intervalo de 2005 a 2008 caiu para apenas 68%. A afirmação é do engenheiro agrônomo e especialista em política setorial, Yoshio Namekata. Para ele, o produtor está condenado ao esgotamento de suas finanças e "à indiferença da indústria."

Para ele, "a questão central é o baixo preço recebido pelo produtor como conseqüência da sua desorganização e incapacidade de negociar com meia dúzia de empresários fortemente organizados, cartelizados e com poder de ditar os preços." Entre as medidas apontadas para solução do problema cita a abertura do mercado para exportação da castanha, entrada de novos concorrentes internacionais e a aplicação de subsídios à exportação.


O estudioso acrescenta que "no campo, a descapitalização torna-se evidente por causa do baixo preço recebido pelo pequeno produtor rural, abaixo do custo de produção. Avalia que o empobrecimento resultou na incapacidade de realizar novos investimentos e o plantio de novas áreas de cajueiros.


Mesmo com todas as dificuldades o especialista não acha que a cajucultura possa desaparecer dentro de dez anos. "O cajueiro produz continuamente durante mais de 30 anos e a meia dúzia de empresas beneficiadoras continua ampliando seus plantios e melhorando a produtividade", observa.


Na opinião dele, o grande problema é social."A tendência é o desaparecimento de 60 mil pequenos e médios produtores que são mais eficientes na produção agrícola, mas que vão sumir por não suportar o preço abaixo do custo de produção."

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

HÁ UMA DEPENDÊNCIA MENTAL

Tribuna do Norte - Publicação: 24 de Outubro de 2010 às 00:00

Após 36 anos no Brasil, onde desenvolveu principalmente o trabalho voltado para o cooperativismo, o suíço Jean Raboud voltará ao país de origem. Quando chegou em 1974, desembarcou em um navio em São Paulo. Trazia como objetivo o projeto de estudar a engorda de animais. Essa semana, quando embarcar de avião levará milhares de histórias, a forte lembrança das ações sociais desenvolvidas no Rio Grande do Norte e, principalmente, o testemunho da esperança do povo brasileiro, como o próprio Raboud costuma dizer. A vinda ao Estado potiguar ocorreu para atuar em um projeto de essências; poucos anos depois já estava envolvido na sua grande paixão, os serviços focados na cidadania. Mas para Jean Raboud o trabalho no social precisa, antes de tudo, desfazer o grande muro que há entre a sociedade civil e os órgãos públicos. Para o suíço é preciso uma união completa, sem divisões. “Sempre fui um adversário dessa divisão da sociedade, com sociedade civil de um lado e poder público do outro”, analisa Jean Raboud. O que é mais difícil quando se trabalha com cidadania no Brasil? “Acho que a dependência das pessoas em relação a política e aos políticos. Há uma dependência mental”, responde de pronto, em uma clara referência ao não pensar das pessoas, e associar a opinião apenas ao que já trazem pronto os políticos. E quem trabalhou com tanta doação ao projeto da cooperativa de caju em Serra do Mel observa: os bairros de Natal podem desenvolver projetos semelhante ao daquela cidade. “O que é notável é que no país é que se aprende muito não por um sistema de aprendizagem, mas pelo fato de fazer, fracassar e retomar com esperança”. Jean Raboud incentiva as pessoas a terem responsabilidade, que origina a dignidade. “A dignidade vem da responsabilidade, não do fato de você levar coisas porque são pobres. Você precisa mostrar como fazer e como dar”, destaca.
Rodrigo Sena O suíço Jean Raboud voltará ao país de origem

O convidado de hoje do 3 por 4 é um suíço com todo espírito brasileiro, um brasileiro por si só encantado, um cidadão do mundo, com coração brasileiro e lições de um nobre ser humano. Com vocês, Jean Raboud.

Depois de 36 anos no Brasil, qual o sentimento do senhor ao deixar o
país?
É um sentimento de um pouco de tristeza e por outro lado de que era
quase necessário colocar uma certa distância entre o que a gente tinha
realizado e as nossas pessoas. Porque tem um autor francês que diz que
para que um projeto de uma pessoa tenha sucesso e durabilidade essa
pessoa tem que se afastar do projeto e viver (o projeto) por conta
própria. Foi o que fizemos até agora com o projeto do Passo da Pátria
(bairro onde ele desenvolve um trabalho voltado para cidadania). Depois
da Serra do Mel eu trabalhei quatro anos na Europa, fui responsável pela
cooperação Suíça na Bósnia-Herzegóvina e voltei no início do ano de
2003 para colaborar com uma turma da Igreja de São Pedro na Associação
para o Desenvolvimento de Iniciativas de Cidadania no Rio Grande do
Norte (ADIC).
O senhor teme que a Associação de Apoio as Comunidades de Campo (AACC), a
qual o senhor integrou, possa ter uma baixa após a sua ausência no Estado?

Não. Eu deixei a AACC em 1998, continuei me interessando nas atividades
da AACC e Coopercaju (Serra do Mel), que beneficia o caju de maneira
caseira, mas com padrões internacionais, ela exporta uma mercadoria com
todos os registros necessários. Estou acompanhando, mas deixei de ser
ativo na AACC e na Serra do Mel em 1998 quando fui assumir minha função
na Bósnia.
A população está madura o suficiente para empreender o cooperativismo?

Diria que está no caminho. Falta muito, mas faltou muito mais. Já houve
também a multiplicação de experiências que deram certo, muitas não deram
certo, mas foi aprendizado. O que é notável é que no país se aprende
muito não por um sistema de aprendizagem, mas pelo fato de fazer,
fracassar e retomar com esperança. O que me impressionou demais no
Brasil foi a força da esperança. Conheci Serra do Mel no auge da seca, o
pessoal com fome, mortalidade infantil muito grande, apesar de tudo
isso as pessoas ainda esperavam a ajuda do governo que vinha de maneira
insuficiente e esperavam encontrar alguma forma de ter uma vida melhor.
Tentei mostrar que a fórmula já estava com eles, era deles. Apesar de
todo castigo, de toda pobreza, a partir deles que tinha que surgir a
solução. Estudamos a solução tentando compor todas as forças que tinham
lá, Governo, sociedade de lá, sistemas de apoio da Suíça e Alemanha.

Qual a visão que o senhor tem do gestor público frente ao
cooperativismo?
Talvez não ele (o gestor público) não tenha uma visão suficiente de
oportunidade de preparar quem vai gerir e assumir a responsabilidade de
cooperativas. O Governo por si não é ele o primeiro interessado nisso. É
interessado, claro, porque dá visibilidade a muitas regiões que sem a
união dos produtores não teriam um impacto na economia do Estado. Nisso
ele precisa ser mais ativo. Mas a minha visão é que eu sempre fui um
adversário dessa divisão da sociedade, com sociedade civil de um lado e
poder público do outro. Não há essa diferença entre sociedade civil e
poder público. O poder público deveria ser a união da sociedade civil.
Deve ter um engrenagem, uma profunda colaboração entre os dois e
sobretudo o que estamos fazendo no Passo da Pátria é fazer surgir o
sentimento de responsabilidade no próprio pessoal. A dignidade vem da
responsabilidade, não do fato de você levar coisas porque são pobres.
Você precisa mostrar como fazer e como dar.
Como o senhor decidiu criar a ADIC?

Tinha o trabalho da Pastoral, mas sentimos que tinha que dar um alcance
maior, sair do esquema de Igreja e ser mais abrangente. Foi aí que fiz a
constituição dessa ONG, em 2005, mas começamos a trabalhar com a igreja
de São Pedro no final de 2003. Em 2005 formalizamos a criação da ADIC.
Estamos assumindo no Passo da Pátria uma construção que vai chegar a R$
600 mil. E precisamos da ajuda de todos (3211 -5471).
Como será o contato do senhor com os projetos sociais quando estiver na
Suíça?
Eu nunca estive praticamente a frente da ADIC porque para continuar a
coisa quem contribui, dá o ponta pé inicial, tem que se afastar,
sobretudo quando se tem mais de 70 anos. Eu participei muito das
atividades e sobretudo da rede de relacionamento aqui e no exterior,
principalmente na Suíça e Alemanha. Temos uma fundação suíça que nos
apóia de maneira firme.
O que é mais difícil quando se trabalha com cidadania no Brasil?
Acho que há dependência das pessoas em relação a política e aos
políticos. Há uma dependência mental. No século XIX tem um economista e
homem de negócio fez uma grande viagem aos Estados Unidos e na época ele
já notou que em nenhum lugar do mundo tem uma liberdade de expressão
tão grande e uma dependência mental tão grande. O que poderia dizer é
que precisa tirar das pessoas a dependência mental de outras pessoas ou
de um esquema qualquer.
A dependência mental que o senhor fala é também financeira, de depender
sempre de esferas de governo?
Também porque essa dependência mental está sempre sendo incentivada por
certas vantagens que todo mundo sabe, tijolo para ajudar a terminar a
casa, óculos. O país nos últimos anos progrediu muito. Muitos que
dependiam desse tipo de coisa passaram a não depender tanto, mas na
prática eles querem ainda continuar dependendo. Você deve ter notado
que na linguagem de quem pretende dar soluções fala sobretudo de
emprego, a gente deveria falar de oportunidade de trabalho. No Brasil
quando você conhece a comunidade do Passo da Pátria muitos sobrevivem de
trabalho próprio, de um trabalho informal. O que a gente tem que
oferecer, claro que emprego é importante, é oportunidade de acordo com a
demanda. No Passo da Pátria tem exemplos fantásticos que souberam ver a
demanda mesmo modesta do local para entrar na fabricação, numa pequena
padaria, em fabricar detergente e outras coisas.
Quando o senhor estiver na Suíça virá ao Brasil a passeio ou a trabalho?

Eu não deixei todas as minhas responsabilidades de lado. Porque uma
realização como a ADIC exige continuidade, um pouco mais de
investimento, claro que vou continuar sendo um porta voz na medida do
possível procurar apoio financeiro onde estarei.
O senhor vai trabalhar na Suíça?
Vou trabalhar, mas não como aqui. Com a idade você tem limitações. A
gente vai trabalhar mais como ajudante. Vou continuar me sentindo um
pouco responsável do que ajudamos a construir aqui, isso já constitui umcerto trabalho.
O senhor fala muito da Serra do Mel, qual cidade que o senhor visitou no
Rio grande do Norte e poderia ser uma nova Serra do Mel?
É uma pergunta difícil de responder. Diria que bairros periféricos de
Natal podem se tornar, em vez de depender do centro. Aliás a zona norte
se tornou uma cidade por si. Lá começou a ter fontes de emprego, mas
também oportunidade de trabalho sem emprego formal. Hoje é uma região
onde tem tudo e não precisa forçosamente passar o rio (Potengi) para trabalhar.
Nesses 36 anos de Brasil qual foi seu grande momento?
Foi uma grande aventura. Posso dizer que fiz o percurso do combatente.
Minha esposa trabalhou 15 anos em Mãe Luíza, ela deu muita da sua força,
da sua saúde nisso. Eu também tentei modestamente me dedicar de maneira
inteira ao trabalho e as pessoas a quem prometi uma colaboração.
Quando o senhor chegar na Suíça e perguntarem sobre sua vida no Brasil
vai falar do que?
Conheci o Brasil do tempo da ditadura, mas para mim era um país
comunista, tudo dependia do governo. A pessoa pobre dependia do governo,
o rico estava querendo sempre coisas do governo. Realmente, era nítido,
apesar de ser um regime, havia um círculo com 360 graus, os extremos se
tocavam, apesar de ser ditadura de direita era nitidamente um país
comunista nesse sentido. Hoje melhorou. Vou falar da força da esperança
que move muitas pessoas que não sabem como vão passar o dia de amanhã,
próximo mês, próxima semana. O europeu é muito planejado, ele acumula
dinheiro. Aqui a gente está mais preocupado não em como investir, mesmo
tendo pouco a gente consome, e a gente sempre espera que o amanhã vai ser melhor.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

CRANBERRY: A INFECÇÃO URINÁRIA COM OS DIAS CONTADOS

CRANBERRY: A INFECÇÃO URINÁRIA COM OS DIAS CONTADOS
“Popular nos Estados Unidos, alimentos à base da fruta comercializados no Brasil são indicados por profissionais da saúde; suco tem reconhecimento da Sociedade Brasileira de Urologia”
“Popular nos Estados Unidos, alimentos à base da fruta comercializados no Brasil são indicados por profissionais da saúde; suco tem reconhecimento da Sociedade Brasileira de Urologia”

Cranberry. Este é o nome de uma fruta que está dando o que falar entre urologistas e outros profissionais da saúde em nosso país, desde que estudos científicos internacionais vêm provando a eficácia de suas propriedades para o combate e a prevenção de doenças. Ainda não encontrada no Brasil in natura, mas muito popular na forma de suco, geleias e outros derivados, hoje uma dieta rica em cranberry é comumente indicada para pacientes que apresentam quadro de infecção urinária.

A infecção urinária é uma das principais causas de idas a consultórios médicos, ambulatórios e pronto-socorros no Brasil. Acredita-se que 30% a 50% das mulheres já tiveram algum problema de infecção urinária depois do início da vida sexual. Também em homens e mulheres idosos, doenças como o aumento da próstata e alterações hormonais e da vagina são responsáveis pelo aumento da incidência de infecções. Segundo Dr. Carlos Alberto Bezerra, presidente do Núcleo Brasileiro de Uroginecologia e professor da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, considerando-se a população geral, as infecções urinárias são mais comuns em mulheres, na proporção de três para um homem.

“As mulheres têm períodos da vida nos quais as infecções são mais frequentes: ao sair da fralda, ao iniciar vida sexual, ao ficar grávida e ao entrar no período pós-menopausa. Já os homens têm mais infecções após os 50 anos, devido aos problemas de próstata. Mas mesmo nesta faixa etária, as mulheres ainda têm mais infecção que os homens. Isso provavelmente se dá porque as infecções urinárias ocorrem por penetração de bactérias pela uretra e os homens, por terem uretra mais longa, são naturalmente mais protegidos”, explica o especialista.

Mas, ao que a comunidade científica indica, esse alto índice brasileiro de mulheres com infecção urinária pode estar com os dias contados com a chegada de produtos à base de cranberry ao nosso mercado, como, por exemplo, o suco da fruta da marca Juxx –primeiro a receber o reconhecimentoda Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que afere sua qualidade e propriedades terapêuticas, e único que usa o concentrado da fruta importado do Chile.

A crescente popularização do cranberrry por aqui como espécie de alimento funcional é uma tendência que nasceu nos Estados Unidos (de onde a fruta tem origem), quando, em 1998, pesquisadores da Rutgers University, em Nova Jersey, descobriram que uma de suas substâncias ativas é a proantocianidina (PAC) – responsável pelo mecanismo antiaderência encontrado no suco, que impede que as bactérias fiquem grudadas e se reproduzam no epitélio (revestimento mucosos) do trato urinário. Essas informações estão disponíveis em congressos médicos e a literatura técnica recente contém dados confiáveis e livres de conflitos de interesse, que estão acessíveis à comunidade médica em todo o mundo e inclusive no Brasil

“Tomei conhecimento da aplicação do suco há 12 anos, no Congresso Americano de Urologia. Desde então tenho acompanhado a literatura. Quando o suco de cranberry foi lançado no Brasil, passei a utilizar em algumas pacientes minhas. Basicamente, o que as pesquisas têm demonstrado é que mulheres com infecção urinária de repetição que passaram a tomar o suco regularmente têm menos repetição de infecções urinárias do que as que não tomam nada. Também há estudos que revelam que tomar o suco como prevenção da infecção urinária é igual a tomar um antibiótico no esquema de profilaxia usual (prevenção com antibióticos em dose baixa)”, explica Dr. Carlos Alberto Bezerra. O presidente do Núcleo Brasileiro de Uroginecologia observou que aqueles pacientes que tomam o suco diminuem o número de consultas por ano no seu consultório.