sábado, 16 de junho de 2012


Seria necessário os recursos de apenas um dia, dos subsídios da agricultura americana, para revitalizar a Cajucultura Nacional

Governo americano "regando" o agronegócio com 1 bilhão por dia

Vivendo e aprendendo !

Ontem, na reunião da Câmara Setorial da Cajucultura, fiquei sabendo através do Industrial Napoleão Viana, que o Governo americano aplica 1 bilhão de dólares, por dia, de subsídios na agricultura...


REFLITAM !

Seria necessário o investimento de 75 % do que os Estados Unidos gasta por dia para revitalizar a CAJUCULTURA NACIONAL

Explicando com mais propriedade !

750.000 hectares de caju no Brasil x R$ 2.000,00 (por hectare) = 1 bilhão e 500 milhões

Mas isto seria gasto em 10 anos...

150 milhões por ano, no decorrer de 10 anos

1º ano 75.000 ha = 10% = R$ 150.000.000,00 (cento e cinquenta milhões)
e assim sucessivamente no 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º e 10º ano


E VIVA O FUNCAJU !

sexta-feira, 15 de junho de 2012 - souprodutordecaju.blogspot.com.br

Guiné-Bissau: Governo de transição prevê exportar 150 mil toneladas de caju

Bissau, 14 jun (Lusa) - O Governo de transição da Guiné-Bissau prevê exportar este ano 150 mil toneladas de caju, tendo sido exportadas até agora 22,5 mil toneladas.

De acordo com Hélder Henrique de Barros, o diretor-geral do Comércio e da Concorrência, do Ministério do Comércio, estão prontas a ser exportadas 90 mil toneladas, havendo pedidos de exportação na ordem das 42 mil toneladas.

Segundo o responsável, citado hoje pela Agência de Notícias da Guiné-Bissau (ANG), houve muita castanha de caju, o principal produto do país, que foi exportada ilegalmente por via terrestre, em parte devido ao golpe de Estado de 12 de abril último.

Ler mais:
http://visao.sapo.pt/guine-bissau-governo-de-transicao-preve-exportar-150-mil-toneladas-de-caju=f670108#ixzz1xwi7vque

Produção de caju foi a pior dos últimos dez anos

Maputo - Moçambique produziu apenas 64 mil toneladas de castanha de caju na campanha 2011-12, contra 113 toneladas na época anterior, naquela que foi a produção mais baixa nos últimos dez anos, disse a quinta-feira, à Lusa, uma fonte oficial.

Segundo a directora nacional do Instituto Nacional do Caju (INCAJU), Filomena Maiopue, a baixa produção resultou da alternância da planta, situação que considerou normal.

"Quando no ano anterior o cajueiro atinge o pico, no ano seguinte a produção baixa bruscamente", disse a responsável do INCAJU, falando no Dondo, província de Sofala, no centro de Moçambique.

As 113 mil toneladas obtidas na campanha anterior são consideradas o pico da produção de castanha de caju no país.

Mas, a fraca colheita de 2011-12, estendeu-se também à comercialização do produto, que caiu 40 porcento, fenómeno assacado à crise mundial e à redução do preço pago ao produtor, que passou de 19 meticais (0,54 euros) para 13 meticais (0,37 euros) por quilo.

"Este facto, fez com que muitos produtores retivessem a produção à espera de oportunidade de outros preços que nunca mais surgiram por falta de dinheiro", disse Filomena Maiopue, citada pelo Diário de Moçambique, acrescentando que grandes quantidades da castanha de caju encontram-se ainda nas mãos dos produtores. 15-06-2012 11:31 Moçambique - http://www.portalangop.co.ao/

quarta-feira, 6 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Iniciou o desembarque de parte das 100.000 toneladas de Castanha importada da África

O que nós produtores de caju podemos fazer com esta notícia ?

O que fazer, quando se diz que a Castanha Importada é de boa qualidade e ainda tem o rendimento maior que a nossa castanha ?

Não existe outro caminho que não seja a nossa organização, nós somos quase 150.0000 (cento e cinquenta mil) produtores e é difícil a nossa organização, mas iniciativas estão sendo feitas para que esta tão sonhada organização possa ser efetivada

Ações como as Audiências Públicas no Ceará, agora no Rio Grande do Norte e posteriormente no Piauí, são indícios que a Cajucultura pode tomar outro rumo, um rumo diferente de diversas culturas, que vimos nascer, gerar riquezas e depois desaparecer...

Em Fortaleza, por ocasião do AGROPACTO, tivemos a visita do Senador Wellinton Dias, Presidente da Subcomissão Permanente de Desenvolvimento do Nordeste e Relator do FUNCAJU, que nos falou da necessidade de ser criada a BANCADA DA CAJUCULTURA, uma necessidade urgente !

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SOBRE A NOSSA PRODUTIVIDADE

Precisamos aumentar a nossa produtividade, não há necessidade de aumentarmos a área plantada

Vejamos abaixo:

Produção Nacional em 2006



Então:

Produção em 2006

243.770 toneladas = 243.770.000 milhões de quilos / 710.181 ha = 343 quilos por hectare



Ainda:

Produção em 2010

104.342 toneladas = 104.342.000 milhões de quilos / 759.460 ha = 137 quilos por hectare

Agora vejamos o Panorama Internacional:


Triênio 2005/07

Vietnã = 2.705 kg de castanha por hectare

Nigéria = 1.971 kg de castanha por hectare

India = 692 kg de castanha por hectare

Brasil = 269 kg de castanha por hectare
Sem aumento de área plantada, só aumentando a nossa produtividade para 692 quilos por hectare (India), teríamos de produção:
759.460 ha x 692 quilos por hectare = 525.546 toneladas > 525.546.320 milhões de quilos

Como temos capacidade de processamento algo em torno de 500.000 toneladas, não seria necessário importar um quilo de castanha;

O FUNCAJU PODE AJUDAR NO AUMENTO DESTA PRODUTIVIDADE !!

OS CUSTO DE PRODUÇÃO SÃO ALTOS, AUMENTANDO A PRODUTIVIDADE, DIMINUI-SE O CUSTO DE PRODUÇÃO, OBVIAMENTE É MAIS DINHEIRO NO BOLSO DO CAJUCULTOR

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Caju é alternativa para agricultura familiar, propõe Benedito de Lira



Benedito de LiraFoto: Sandro Lima
Senador Benedito de Lira

 
 
Em busca de recursos para projeto que prevê a plantação de 5 milhões de cajueiros para agricultores familiares do semiárido do Nordeste, o senador Benedito de Lira (PP-AL) foi ao Plenário mostrar os benefícios e o baixo custo da iniciativa.

O governo federal colocou R$ 80 milhões à disposição para atender às vítimas da seca no Nordeste, somente em maio, mas quando a verba terminar a seca continuará. No próximo ano, teremos a mesma dificuldade porque o fenômeno é cíclico. Por isso, apelo que o Governo Federal invista em ações permanentes de minimização dos efeitos da seca, principalmente, para os pequenos agricultores”, lembrou.

Benedito de Lira mostrou que são necessários R$ 2,5 milhões para plantar 350 mil mudas de caju em dois mil hectares de terra a fim de permitir que mais de 500 famílias tenham alternativa de renda na seca e na entre safra. Durante o discurso, o senador pediu a união do Governo Federal, estados e municípios para definirem e executarem políticas públicas para oferecer condições de vida ao pequeno agricultor. “Não é só a cesta básica, o carro pipa que vai resolver essa dificuldade. O sertanejo ama a sua região e só a deixa quando não consegue sobreviver com a seca, mas quando a chuva cai, ele volta. Só precisa de apoio do governo para soluções definitivas ”, disse.

Os senadores Alfredo Nascimento (RR) e Antônio Carlos Valadares (SE) apoiaram a iniciativa de Benedito de Lira como forma de combater as desigualdades regionais.
O senador cobrou investimentos do Ministério da Integração Nacional em iniciativas de baixo custo e alto impacto na geração de renda e fixação do sertanejo. “Imaginem investir R$ 50 milhões para que agricultores familiares possam iniciar a plantação de caju. Ao terminar o mandato, o governo poderá dizer que milhares de nordestinos que morriam de fome e sofriam com a da seca terão qualidade de vida como em outras regiões do país. Se não houver investimento, a região continuará a ser penalizada sem ter o que beber e o que comer”, alertou.





















terça-feira, 15 de maio de 2012

Estiagem deve provocar queda na produção de castanha de caju no RN

Estiagem deve provocar queda na produção de castanha de caju no RN

Seca está prejudicando a florada dos cajueiros no Rio Grande do Norte.
Safra de 2012 deve ficar em torno das 10 mil toneladas no estado.
Do Globo Rural - 15/05/2012 06h58
A estiagem que atinge o Nordeste está prejudicando a florada dos cajueiros no Rio Grande do Norte, o que deve causar queda na produção de castanha.

Sem chuvas regulares nos quatro primeiros meses de 2012, os 100 hectares de cajueiro do produtor Francisco Rufino Filho não irão florescer e a safra de castanha deste ano já está comprometida.

O município de Apodi é um dos maiores produtores de castanha de caju do Ri Grande do Norte e um dos que mais sofrem com a seca. Segundo o engenheiro agrônomo Antônio Tertuliano Oliveira, este ano choveu uma média de 200 milímetros na região, o que é muito pouco para o desenvolvimento das amêndoas. “Requer em torno de 600 a 1,2 mil milímetros para que haja uma produtividade satisfatória para o cajueiro”, diz.

A safra de castanha de 2012, que começa em setembro, deve ficar em torno das 10 mil toneladas no Rio Grande do Norte, segundo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do estado. Houve redução de 50% em relação às safras de 2010 e 2011.

A diminuição na produção deve afetar as pequenas usinas de beneficiamento de castanha no Rio Grande do Norte. Sem amêndoas e sem estoque suficiente, a expectativa é que muitas não consigam mais operar e fechem as portas. As grandes usinas devem importar castanha para manter a atividade em funcionamento.

A usina de beneficiamento de Mossoró importou da África seis mil toneladas de castanha no ano passado. Em 2012, a previsão é dobrar esse número. O empresário diz que o setor está muito instável. “O salário tem subido nessa variação cambial. Eu tenho 33 anos com castanha e estou vendo que está ficando difícil a nossa indústria”, avalia o empresário Francisco Assis Neto.

Campanha do caju "de mal a pior", alerta associação de agricultores.

Lusa 09 Mai, 2012, 16:57 – www.rpt.pt - noticias

O presidente da associação dos agricultores da Guiné-Bissau, Mama Samba Embalo, afirmou hoje que a campanha de comercialização da castanha do caju, principal produto de exportação do país, "vai de mal a pior".

Fazendo um balanço da campanha de caju à luz da situação de crise político-militar no país, decorrente do golpe de Estado militar de 12 de abril, Mama Samba Embalo disse que "se continuar a persistir o impasse os níveis da pobreza irão aumentar".

"Enquanto representantes dos agricultores, podemos dizer que a campanha está a correr muito mal. Vai de mal a pior. A pobreza ameaça a população do mundo rural. A castanha está a ser comprada abaixo do preço fixado pelo Governo", deposto, disse Embalo, também deputado no Parlamento.

O presidente da ANAG (Associação Nacional dos Agricultores da Guiné) disse que a situação se torna ainda mais complicada devido ao fluxo de pessoas das cidades para as zonas rurais, onde praticamente só se vive do caju.

"O preço de referência era 250 francos por quilograma, mas o caju é comprado abaixo desse preço, o que empobrece cada vez mais o produtor", sublinhou Mama Samba Embalo, explicando ainda que os empresários guineenses não participam na campanha deste ano.

"Apenas os empresários mauritanos e indianos é que estão a comprar, porque os operadores nacionais não tiveram crédito nos bancos comerciais por isso não conseguem participar na campanha", notou o responsável da ANAG.

"Os bancos não têm confiança no país, por isso não dão crédito aos empresários nacionais. Para piorar ainda mais as coisas, a castanha está a ser comercializada nas fronteiras para os países vizinhos, Guiné-Conacri, Senegal e Gâmbia", observou Embalo.

"Não há controlo das nossas fronteiras. O país está a perder muita riqueza. O índice da pobreza está a aumentar a cada dia que passa", salientou o presidente da ANAG, apontando números.

"Em 2011, por estas alturas do mês de maio, já tinham sido exportadas 16 mil toneladas de castanha através do porto de Bissau. Neste momento que vos falo, nem uma tonelada saiu pelo porto de Bissau", disse.

Mama Samba Embalo explicou que a campanha de 2011, considerada até pelo Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional como sendo a melhor de todas, ajudou o país a subir o nível da economia e a credibilidade externa.

"Produziram-se cerca de 200 mil toneladas, exportaram-se 167 mil toneladas no ano passado. A previsão deste ano era para 230 mil toneladas de exportação numa produção de cerca de 250 mil toneladas, mas tudo isso poderá ser uma miragem", defendeu Embalo.

"Ainda é possível recuperar a campanha se o problema for resolvido nos próximos dias, mas é impensável pensar que vamos poder conseguir alcançar a quantidade exportada no ano passado", acrescentou o presidente da ANAG, para quem a solução passa pela reposição das coisas tal como estavam antes do golpe de Estado.

"Queremos que seja reposta a ordem constitucional e seja reposto o Governo que foi derrubado", disse Mama Samba Embalo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Estiagens atingem a produtividade dos cajueiros

02/05/2012 19h59 - Publicado no www.portalmercadoaberto.com.br  
As fortes estiagens verificadas no estado do Rio Grande do Norte irão refletir na produção de castanha-de-caju da safra 2012/2013, que começa a ser colhida a partir do mês de setembro próximo.
Em anos normais de safra, a produção do Rio Grande do Norte atinge, em média, 42.000 toneladas de castanha-de-caju in natura. Na safra de 2010/2011, por causa das condições climáticas adversas, a produção caiu para 26.000. Isso obrigou as indústrias a importar, durante aquele período, a matéria-prima da África.
Na Região Oeste, importante produtora de castanha-de-caju do estado, choveu apenas 342 mm até o mês de abril, quando em situações normais as chuvas chegam a acumular mais de 800 mm no mesmo período.
A adversidade climática deste ano leva o setor agrícola potiguar a projetar que o Rio Grande do Norte enfrentará uma das piores secas dos últimos 30 anos. Essa situação vem preocupando a cadeia produtiva da cajucultura, sobretudo com relação à oferta do produto, uma vez que o estado conta com uma capacidade de beneficiamento de 68.200 toneladas e teme pela ociosidade do parque industrial.
Para atenuar essa situação, as indústrias potiguares já estão formalizando contratos com os países africanos para importar castanha-de-caju in natura, visando suprir parcialmente o déficit da produção do Rio Grande do Norte.
Está provado que o estado precisa avançar no uso de tecnologia para produzir alimentos por meio do processo de irrigação!

sábado, 28 de abril de 2012

Ceará recebe 1º navio de castanha da África

Publicado em 28.04.2012 – JORNAL DIARIO DO NORDESTE – pagina economia
Estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro, em torno de 100 mil toneladas da África
Chega ao Ceará, na próxima segunda-feira, o primeiro navio de castanhas "in natura" importadas da África. O carregamento de aproximadamente quatro mil toneladas vem da Costa do Marfim, país da costa oeste africana, e ainda será processado para se tornar amêndoas, antes de entrar no mercado.
O carregamento vem para ajudar a suprir a demanda, já que com a expectativa de safra, para este e o próximo ano, de apenas 302 mil toneladas de castanha de caju, segundo o IBGE, as indústrias de beneficiamento no País terão que importar a matéria-prima da África, um dos maiores produtores mundiais.
A safra brasileira de aproximadamente 300 mil toneladas não atende a capacidade instalada das indústrias nacionais e, além disso, até 15% desta safra ainda não chegou a ser comercializada para as indústrias.
Segundo o presidente do Sindicaju (Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Ceará), Evilázio Marques, essa necessidade deve-se ao fato de a produção nacional representar, hoje, metade da capacidade instalada do setor - cerca de 600 mil toneladas, com 90% desse volume concentrados no Ceará.
"As indústrias associadas ao Sindicaju dão prioridade à castanha nacional pelo seu tamanho, que é maior do que o da castanha africana, que tem tamanho médio. Entretanto, a safra brasileira de castanha é pequena para atender à capacidade instalada do setor, sendo totalmente consumida", explica.
Na sua avaliação, para que se possa industrializar, pelo menos 65% da capacidade instalada nacional, compensando em parte a redução da safra brasileira, que vem ocorrendo a cada ano, estima-se que as empresas tenham que importar, até setembro de 2012, em torno de 100 mil toneladas, de Gana, Guiné Bissau, Costa do Marfim e outros países da África Ocidental. "O Brasil é integrante da economia mundial. O setor de castanha de caju não poderia ser diferente, pois estamos concorrendo com outros países, como a Índia e o Vietnã, que há muitos anos realizam importações da África", diz.
Impactos
De acordo com Marques, a importação da matéria-prima africana também se justifica pelos impactos positivos decorrentes de sua realização. "Os impactos causados na economia cearense são muito importantes, pois irão garantir aumento dos empregos diretos e indiretos nas indústrias, além de aumento de divisas para o Estado", explica. Conforme disse, a importação feita pelas indústrias associadas ao Sindicaju, na safra anterior, foi o que assegurou a manutenção da maioria dos empregos diretos e nos segmentos dependentes, como fornecedores dentre outros. Além do que, diz, "a importação proporcionará às indústrias a manutenção dos clientes existentes em mais de 50 países onde as amêndoas de castanha do Ceará são apreciadas e consumidas".

Rendimento
Segundo Evilázio Marques, apesar de a castanha proveniente da África ter tamanho médio um pouco abaixo do nacional, este possui, por sua vez, rendimento de amêndoas por quilo (Kg) de castanhas "in natura" entre 98 a 108 kg por caixa de 50 libras, melhor que o produto nacional, que necessita de 115kg a 125kg para produção de uma caixa do mesmo peso. "Além disso, a castanha africana chega nas indústrias embalada em sacos novos e livre de impurezas, diferentemente da brasileira que chega a ter de 4% a 6% de impurezas representadas por pedras, areia e folhas. E com baixa umidade, podendo ter diferencial de até 6% a 8% com relação ao produto nacional", afirma.
Números do setor
A importância social do caju no Nordeste do Brasil traduz-se pelo número de empregos diretos que gera, dos quais, informa o Sindicaju, mais de 170 mil estão no campo e de 12 a 15 mil na indústria, além de 350 mil empregos indiretos nos dois segmentos. O cajueiro, para o semiárido nordestino, é ainda de suma relevância, pois os empregos do campo são gerados na entressafra das culturas tradicionais como milho, feijão e algodão, reduzindo, assim, o êxodo rural. Ao lado do aspecto econômico, os produtos derivados do caju detêm ainda grande importância alimentar para o produtor rural.
Segundo o IBGE, o Nordeste, com uma área plantada superior a 750 mil hectares, responde por 100% da produção nacional, sendo os estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte e Bahia os principais produtores. O Brasil, que já chegou a ser o segundo maior produtor de castanha do mundo, ficando atrás apenas da Índia, atualmente encontra-se em quarto lugar, perdendo para Índia, Vietnã e Costa do Marfim.
Produção
302 mil toneladas de castanha devem ser produzidas no Brasil neste e no próximo ano, mas o número ainda é considerado baixo

terça-feira, 3 de abril de 2012

35 000 toneladas de castanha de caju in natura na mão de atravessadores.

Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará - Ano 5 - Edição 58 - abril de 2012
Prática nociva - ESPECULAÇÃO –

Apenas na região norte do estado, há entre 25 000 a 35 000 toneladas de castanha de caju in natura na mão de atravessadores.
Com safra estimada entre 80 000 e 85 000 toneladas anualmente, os produtores cearenses de castanha de caju in natura vêm enfrentando a ação de especuladores. O alerta é do presidente do Sindicato dos Produtores de Caju do Estado do Ceará (Sincaju), Paulo de Tarso Meyer Ferreira. Ele denuncia que atravessadores compraram a castanha a preços baixos dos mini e pequenos produtores, com a intenção de formar estoque e depois vendê-lo à indústria de beneficiamento na estressafra por um valor bem acima da média de mercado.

A prática, lucrativa para quem dela faz uso, tem se mostrado prejudicial a todo o segmento. Paulo de Tarso estima que, apenas na região norte do estado, onde teve início tal procedimento, há entre 25 000 a 35 000 toneladas na mão de especuladores. A ação, segundo ele, ocorre, sobretudo, porque falta apoio dos órgãos governamentais aos pequenos produtores, os quais, sem recursos para bancar a produção, acabam reféns dessa gente. "Em alguns casos, eles chegam a financiar o plantio com juros mais altos, além de comprar a castanha por preços mais baixos."

"O especulador não tem compromisso com a produção, só com o lucro. Se não der para ganhar com o caju, ganha com a carnaúba, com a farinha, com a venda de carros etc.", afirma Paulo de Tarso. Ele dá sugestões para coibir a má prática dos que procuram tirar proveito da situação: cobrar-lhes imposto sobre a matéria-prima estocada e oferecer condições ao produtor para aumentar a sua capacidade produtiva, mediante financiamento facilitado, a fim de que possa se defender do atravessador.

De acordo com o Sincaju, cerca de 10 milhões de reais seriam suficientes para atender aos produtores (pequenos e médios) de castanha no Ceará. Paulo de Tarso diz que a bancada de parlamentares estaduais do Ceará, por meio dos deputados Hermínio Rezende e Manuel Duca, membros da Comissão de Agropecuária da Assembleia, está tentando oficializar a criação de um fundo de apoio à cajucultura com o objetivo de renovar pomares que já chegaram a produzir 600 quilos por hectare e atualmente não atingem 200 quilos/hectare. "Nosso segmento corre o risco de acabar. Dos 402 000 hectares no Ceará, 30% estão improdutivos."

Como se não bastassem os especuladores e a baixa produtividade, Paulo de Tarso afirma que a cajucultura cearense enfrenta outros graves problemas, como aumento da concorrência externa, falta de recursos e escassez de linha de crédito específica ao setor. "Todas essas variáveis têm funcionado como verdadeiro desestímulo à cadeia produtiva." Ele diz que há muito tempo vem solicitando dos órgãos competentes a criação de linhas de crédito voltadas, preliminarmente, à substituição de copas dos cajueiros improdutivos. "Com isso, em dois ou três anos, haveria a triplicação da produção."

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento de Castanha de Caju e Amêndoas Vegetais do Estado do Ceará (Sindicaju), Evilazio Marques Ribeiro, o problema existe e já foi tratado com as autoridades governamentais, mas é uma questão principalmente de mercado envolvendo a lei da oferta e da procura. "Isso ocorre em todo lugar onde predomina o poder econômico. Os especuladores têm recursos, conseguem impor suas condições aos produtores e compram até mais barato que a própria indústria."

Mas Evilazio Ribeiro entende, assim como Paulo de Tarso, que as autoridades governamentais poderiam coibir a especulação criando um imposto sobre o produto estocado: "Essas pessoas não podem ser tratadas como produtores, e sim como comerciantes. É a única solução que vejo". Conforme ele, a indústria tem sido diretamente prejudicada porque a compra da matéria-prima obedece às regras de mercado. "Se tem, baixa o preço. Se não tem, aumenta o preço." Outra situação provocada pela especulação, diz Evilazio Ribeiro, é o fato de a castanha in natura não estar disponível à indústria no período da safra.

Importação não prejudica produtor

A castanha de caju no Ceará exportou no ano passado 190,5 milhões de dólares, colocando o segmento no segundo lugar em exportações. Perdeu para o setor calçadista, cujas vendas atingiram 365 milhões de dólares em 2011. Naquele ano, porém, a indústria precisou importar mais de 57 milhões de dólares em matéria-prima para atender à demanda. Antes, o estado já havia se socorrido das importações para assegurar a sua produção industrial nos anos de 2007, 2008 e 2009, mas com valores que, juntando os três anos, pouco passaram dos 10 milhões de dólares.

De acordo com Evilazio Ribeiro, a indústria do estado precisa se adaptar à nova realidade. E por vários motivos. Um deles está relacionado à competitividade. O setor conseguiu quase dobrar as exportações nos últimos dez anos, passando de 82 milhões de dólares, em 2002, para mais de 190 milhões de dólares, em 2011. Isso, no entanto, não significa que a situação esteja totalmente favorável ao segmento no Ceará. "Mesmo respondendo em 2011 por 73% das exportações do produto no Brasil, estamos tendo de lidar no mercado externo com o aumento da concorrência."

O presidente do Sindicaju explica que as indústrias locais procuram se manter competitivas, adquirindo, inclusive, novos equipamentos, gerando consequências na cadeia como um todo. Nesse sentido, explica que a produção rural cearense é baixa por causa, dentre outros fatores, dos cajueiros que se tornaram improdutivos. "No Vietnã, por exemplo, o plantio de cajueiro anão é muito grande. Além disso, tanto os produtores como os exportadores recebem incentivo para assim proceder."

Por isso a indústria do Vietnã cresceu e pôde enfrentar a competitividade internacional. No Ceará, o fenômeno se inverteu: o estado perdeu produtividade e competitividade. Como reflexo, desde o ano passado, aumentou a importação de castanha in natura da África e da Ásia para atender à demanda da indústria de beneficiamento, porque não há produção suficiente por aqui. Mas Evilazio Ribeiro não acredita que a importação possa provocar desemprego no campo. "Compramos toda a produção local disponível, tanto que estamos importando, uma vez que não há castanha suficiente no estado."

Em relação à indústria, porém, o desemprego existe, justamente porque falta matéria-prima para processar, mesmo com a importação. Somente em 2011, diz o dirigente classista, cerca de 5 000 pessoas foram demitidas por isso. Atualmente, o setor de beneficiamento de castanha no Ceará conta com nove indústrias, empregando cerca de 10 000 pessoas diretamente e cerca de 30 000 indiretamente.

Evilazio Ribeiro alerta que a falta de matéria-prima para garantir a necessidade de produção da indústria existe por causa de empecilhos provocados pelas autoridades governamentais, como regras de cotas. "Não queremos favorecimento. Mas condições que nos permitam competir em igualdade com os mercados tradicionais do produto."

Importação dobra em 2012

O Brasil deverá importar este ano um volume de 100 000 toneladas de castanha de caju para serem processadas nas fábricas nacionais, a maior parte delas localizada no Ceará. Esse valor representa um acréscimo de 122% em relação ao que foi importado em 2011. A Índia é o segundo maior produtor mundial de castanha, atrás do Vietnã. O Brasil ocupa hoje a terceira posição.

De acordo com o Evilazio Ribeiro, a importação se deve à capacidade instalada da indústria para o beneficiamento da castanha de caju de 600 000 toneladas/ano, que não está conseguindo ser suprida pela produção rural brasileira. "Nós damos, sempre, preferência à castanha nacional. Mas, como a produção brasileira não é suficiente, temos de importar." Ele aponta que o ano de 2011 foi o primeiro no qual se realizou uma importação em larga escala da matéria-prima, trazida, na ocasião, da África do Sul.
No entanto, mesmo com a importação, a indústria continua enfrentando dificuldades para não ficar com sua capacidade ociosa. No ano passado, o Brasil exportou 26 000 toneladas de amêndoas de castanha de caju processadas, o que gerou faturamento de 260,6 milhões de dólares. Caso a capacidade instalada fosse utilizada em sua totalidade, o país poderia ter gerado divisas em torno de 500 milhões de dólares.